terça-feira, 23 de março de 2010

LYA LUFT:

Menina do interior, tive a natureza como presença enorme em torno da casa e por toda a pequena cidade: paisagem, abrigo, fascinação, surpresa, escola de permanência e também de transitoriedade. Mantive um laço estreito com esse universo, e quando posso durmo de janelas e cortinas abertas, para sentir a respiração do mundo. Porém, cedo também aprendi que a mãe natureza pode ser cruel. Granizo perfurando folhas e arrasando a horta, geada castigando flores, raios matando gente. De longe, ouvia falar em terremoto, quando o vasto mundo ainda era distante. Agora que o mundo ficou minúsculo, porque o Haiti arrasado, o Chile destruído e a Europa nevada estão ao alcance do meu dedo no computador ou no controle da televisão, a velha mãe se manifesta em estertores que podem ser apenas normais (o clima da Terra sempre mudou, às vezes radicalmente, antes de virmos povoar este planeta), mas também podem ser rosnados de protesto, "ei, o que estão fazendo comigo essas pequenas cracas que se instalaram sobre minha pele?".
Mas a natureza não mata apenas com enchentes, deslizamentos, terremotos e tsunamis. Mata pela mão dos humanos, o que pode parecer um fato em escala menor, mas é bem mais preocupante. Homens, mulheres e meninos-bomba quase diariamente se explodem levando consigo dezenas de vidas inocentes: pais de família, mães ou crianças, mulheres fazendo a feira, jovens indo para a escola. Bandidos incendeiam um ônibus com passageiros dentro: dois morrem logo, outros vários curtem em hospitais o grave sofrimento dos queimados. Não tinham nada a ver com a bandidagem, estavam apenas indo para o trabalho, ou vindo dele. Assaltantes explodem bancos em cidades do interior antes tranquilas. Criminosos sequestram casais ou famílias inteiras e os submetem aos maiores vexames e terror. Como está virando costume, a gente agradece por escapar com vida.
Duas mães deixam num barraco imundo cinco crianças, algumas com menos de 6 anos. Sem comida, sem força, sem presença, sem a menor higiene. O policial que as encontra leva duas menorzinhas para casa, onde sua mulher lhes dá banho e comida. As crianças, de tão fracas, mal conseguem se alimentar. O homem chora: tem três filhos pequenos, e há algum tempo perdeu uma filhinha. A maldade humana agride até esse homem que com ela deve ter frequente contato.

A natureza, da qual fazemos parte, mata com muito mais crueldade através de nós do que através do clima ou de movimentos da terra, e de maneira bem mais assustadora: pois nós pensamos enquanto prejudicamos o nosso semelhante. Temos a intenção de atormentar, torturar, matar, mesmo que em vários casos seja uma consciência em delírio – estamos tão drogados que achamos graça de tudo. Mas somos responsáveis por nos termos drogado.

De modo que, como me dizia um amigo, o ser humano não tem jeito, não. Ou: esse é o nosso jeito, a nossa parte na natureza. De um lado, os cuidadores, que vão de pais e mães até médicos e enfermeiras; do outro lado, os destruidores, que são os bandidos, mas também (que tristeza) eventualmente pais e parentes. E contra eles, tanto ou mais do que contra a natureza não humana, somos impotentes. O que faz a criança diante do abandono materno? Em relação ao pai, tio ou irmão estuprador? O que fazem passageiros de um ônibus, pacíficos e cansados, diante do terror imposto por bandidos? Nada. Migalhas humanas soterradas por maldade e frieza, como num terremoto ou tsunami somos soterrados pela lama, pelos destroços, pelas águas.

Resta filosofar um pouco: de que vale a vida, quanto vale a minha, e como a usamos, se é que pensamos nisso? Pensar pode ser meio chato, e ainda por cima traz alguma inquietação. A natureza poderosa, encantadora e cruel também somos nós: que a gente não fique do lado dos animais assassinos, como a orca, que depois de matar três pessoas continua, como foi anunciado, "fazendo parte do time", no parque americano.

Antes de usar um adesivo "salve as baleias", eu quero um adesivo "salve as pessoas, que são parte da natureza".

quinta-feira, 18 de março de 2010

Castração em massa do pit bulls

Vai dar o que falar: castração em massa de pit bulls
O projeto, que prevê o controle de várias raças de cães de guarda, já está causando polêmica em Brasília. Você é contra ou a favor? Deixe seu comentário no nosso painel.

Giovana Teles - Brasília

O Jornal Hoje estreia um novo quadro “Vai dar o que falar”.



Vamos ouvir nossos telespectadores sobre temas polêmicos que estão sendo discutidos em Brasília. Vamos começar com o projeto que prevê a castração em massa de pit bulls e que prevê também o controle de várias raças de cães de guarda. Você é contra ou a favor?

“A gente não tem segurança nenhuma quando ve um cachorro desses, porque é perigoso mesmo. Acho que tem que ser castrado mesmo”, Silvia Gonçalves - massoterapeuta.

“Se cuidarem muito bem dele, se fazer com que ele seja dócil... Ele não é agressivo. Porque até eu mesmo se começarem a me agredir demais da conta eu começo até a ‘zunhar’", Jesus de Nazaré – aposentado.

“O sonho do meu marido é ter um pit bull e eu falei assim: pit bull aqui em casa não entra porque eu não suporto pit bull, que só em olhar você já sente um medo assim por ele”, Cíntia da Silva Santos - comerciária.

“Nem pit bull eu crio, mas eu acho que está errado isso”, Alex Carrel – enfermeiro.
É polêmico mesmo! Para muita gente os cães de guarda são amigos fiéis.

Mas só no estado de São Paulo, a cada hora onze pessoas são atacadas por cachorros de diferentes raças. Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado, mais de 500 vítimas desses animais passaram por cirurgias em todo o país.

Em janeiro, em Salto de Pirapora, no interior paulista, a dona de casa Rosane Campos teve a perna amputada após ser atacada pelo pit bull que estava com ela há uma semana... “A hora em que ele viu sangue, ele queria mais sangue, o sangue enfureceu ele!”.

Há dois anos a vida de Luciana, de Juiz de Fora, também mudou. O pit bull da casa do patrão destruiu o rosto dela. “Até o refinamento tem muita coisa pela frente”.

- O projeto que está no Senado considera perigosas dezesseis raças, além do pit bull. Entre elas rotweiller, doberman, boxer, pastor alemão e fila.

- Determina, em casos de ataque, que o dono, criador ou quem tem a guarda do animal responda na justiça até por homicídio.

- As vítimas serão indenizada por danos materiais e morais.

- Para circular em locais públicos, os cães de guarda deverão usar coleira, corrente e focinheira. Caso contrário, o dono pagará multa e o animal irá para o canil público e poderá ser sacrificado.

- Fica proibida a reprodução dos pit bulls. Todos os machos deverão ser esterilizados. Se o proprietário descumprir a lei, poderá ficar preso, de três meses a um ano.

Todas as pessoas que o JH ouviu concordam com as punições para os donos de cães de grande porte em caso de ataques. O consenso acaba aí. Por isso, nossa produção conversou com o autor do projeto, senador Valter Pereira (PMDB-MS) e com o membro da Confederação Brasileira de criadores de cães de raça, Celso Pinto.

JH: Por que a Confederação é contra o projeto?
Celso Pinto: O que todos nós criadores de cães de raça pura temos contra o projeto é que ele torna desiguais de uma maneira igual. Ele faz com que todos os criadores que tratam seus cães de maneira corretamente, adestram, têm uma posse responsável pelos seus cães, sejam igualados a proprietários de cães que nem raça tem: os mestiços. Eles na realidade, são os grandes causadores de acidentes em todas as atividades.

JH: Senador, o senhor acha que os ataques justificam o extermínio de uma raça de cães?
Valter Pereira: O nosso foco é o cidadão comum. É o idoso que tem o direito de ir e vir, o direito de andar nas praças, direito de andar nas ruas. É a criança que é desprotegida e que, de repente, sofre ataques até fatais. Então não tem nenhum fundamento manter um cão que é uma verdadeira arma de grande calibre, como o pit bull, por exemplo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da mulher:

O dia foi criado depois de diversas manifestações. Em 8 de março de 1857, operárias das indústrias têxtil e de vestuário fizeram um protesto contra as más condições de trabalho, em Nova York. Anos depois, a ideia seria reforçada por causa de um incêndio na mesma cidade, onde morreram 146 trabalhadores - 125 costureiras. Foi aí que, em 1920, a alemã Clara Zetkin propôs a criação da data, por essas e outras lutas.



Hoje, muitos lugares possuem uma programação especial para festejar. Em Salvador, por exemplo, diversas palestras dão ênfase à data, incluindo um seminário sobre Maria Bonita, esposa de Lampião (Biblioteca dos Barris). Enquanto isso, o Museu Eugênio Teixeira Leal explica melhor a Lei Maria da Penha, contra a violência à mulher.


Tradicional corrida de noivas, na China

No Rio de Janeiro, uma tripulação feminina comanda as barcas entre a Praça XV e Niterói, transportando cerca de 25 mil pessoas em 22 diferentes viagens. Na capital mineira, centenas de mulheres participam da passeata para lembrar as cinco vítimas do "Maníaco do Industrial", acusado de estupro e homicídio.


Celebração na Praça do Patriarca, em São Paulo

Em São Paulo, é o último dia para quem quiser conferir a exposição "Mulheres de Verdade", idealizada por Érica Monteiro e com 30 imagens de atrizes e modelos brasileiras com e sem maquiagem. A mostra é gratuita e acontece no Piso Térreo do Shopping Market Place.
Conquistas da mulher



Apesar de tudo que já conseguiu, como salários mais próximos aos dos homens e direito de voto, a mulher ainda tem um espaço a ser conquistado. Um dos exemplos é que, a cada ano, cerca de 5 mil mulheres são assassinadas e torturadas por razões que incluem a violação a normas da família ou da comunidade em relação à conduta sexual ou até pelo simples desejo de escolher seu marido ou querer o divórcio, conforme publicado no último dia 4 de março, pelo centro de notícias da ONU.

Além das diferenças sociais, há também problemas como a crise econômica que, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho - OIT, deve afetar muito mais as mulheres, sendo apenas uma questão de tempo. Isso porque ela logo se estenderá ao campo de serviços, onde predomina a classe feminina. De acordo com a notícia publicada pela ONU, "o estudo constata que há uma igualdade de gênero que foi alcançada nos últimos 15 anos, mas ainda existe uma grande diferença entre homens e mulheres a respeito de oportunidades de trabalho". Um exemplo disso é que mulheres com nível superior ainda ganham menos do que os homens, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego de 2009. A diferença chega a R$ 616,80 no setor comercial.