domingo, 21 de fevereiro de 2010

Comportamento:

Vaidade exagerada na infância é prejudicial na vida adulta
Os responsáveis têm que conversar com as filhas. O salto alto, por exemplo, cabe aos pais controlar o uso precoce e resistir aos desejos das meninas.



Uma polêmica das boas: por que meninas de 5, 6 anos de idade, muitas vezes com o apoio dos pais, pintam as unhas, capricham na maquiagem e usam salto alto?

No colo da mãe, Julia é uma criança tímida. Na Marquês de Sapucaí, no Rio, ela mostra todo o seu talento. Com apenas 7 anos, é a rainha de bateria da Viradouro.

A minipassista gosta de brincar com a beleza, ainda mais no salão da mãe. “Na maquiagem, se eu deixar, ela carrega mais. A maquiagem tem que ficar tomando conta, se não é muita purpurina”, conta a mãe de Júlia, Monica Lira.

Em Hollywood, Suri, de 3 anos, filha de Tom Cruise e Katie Homes, vive aparecendo de batom e salto alto.

Em São Paulo, não falta charme na vida de Beatriz, de 7 anos. Ela conta que a maquiagem que mais gosta de passar é batom e sombra. “Eu hoje estou com um esmalte claro, ela não gostou. Ela disse: - Mãe está muito apagado”, revela a mãe de Beatriz, Jane Moura Mituiwa.

Luana, hoje com 4 anos, faz as unhas desde 1 ano e 8 meses. E já tem uma lista de prioridades: “Cabelo, dente e pele”, diz ela. Todos os sábados, a manicure atende mãe e filha em casa. “Ela tem sim uma preocupação, uma vaidade de mocinha, mas ela tem as brincadeiras e os amigos que fazem com que ela viver em um mundo normal”, diz a mãe de Luana, Gabriela Comazzetto.

O médico dermatologista Wellington Furlan explica os risco de uma criança usar esmalte nas unhas: “O principal risco são as alergias, são chamadas de dermatites de contato, que podem ocorrer no local da aplicação, e também em outras partes do corpo como na pálpebra que é muito comum. O ideal é a criança não fazer a unha”.


Mas se for fazer a unha assim mesmo, é melhor escolher produtos à base de água, menos irritantes para a pele.

Beatriz Lopes Drud, de 5 anos, já tem sutiã. Mas a mãe de Bia esconde o sutiã, para que Bia não use antes da adolescência.

“A mãe é o primeiro modelo de amor da menina. Então, é natural que ela imite, ponha o salto alto da mãe. O problema é quando a mãe estimula demais a criança ter atitudes inadequadas para a faixa etária dela”, explica a psicóloga Patrícia Spada.


“Eu gosto de salto, colar e anel”, fala uma menina.

“Sapato de salto alto prata”, revela outra garota em uma loja de sapatos.


Mas o uso do salto esconde um problema. O Fantástico convidou Bia, que usa salto, e Julia que nunca usou, para um teste em um laboratório de fisioterapia na Universidade

de São Paulo.



Bia, conta a doutora em biomecânica, Isabel Sacco, que gosta de usar salto alto, que anda normalmente com ele e que fica com dor na perna quando fica muito em pé com o salto. O primeiro exame é com os pés descalços.

“Quando a gente anda, pisa com o calcanhar no chão, a gente vai escorregando o pé até lá na frente no dedão. No exame dela, percebe-se que você não faz força com o dedão. Mas olha só o que você faz com o seu calcanhar. Coitadinho dele, ele está com uma força um pouco maior. Quanto mais vermelho, cor de rosa, mas forte você bate o pé no chão”, explica a especialista.

Com a sandália, o resultado muda: “Como seu pé está assim para frente, por causa do salto alto, então o calcanhar não está mais apoiado. Então quando seu pé vem para frente por causa do salto, você aumenta a força que você faz no chão com a parte da frente. E o calcanhar serve para receber impacto, porque a gente tem um fofinho no calcanhar. Na frente do pé, não pode ter vermelho, só atrás”, explica Isabel Sacco.


O teste mostrou que Julia, que não usa salto alto, não apresenta problemas no jeito de andar.

O Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro e Calçado testou três tipos de sapatos para descobrir qual o mais adequado para as meninas entre 5 e 7 anos de idade. O resultado indica que o que tem o menor solado ajuda nos movimentos do pé. O modelo com a plataforma começa a prejudicar e o com salto pode trazer riscos.


“Então, a criancinha fica toda deformada na sua postura. E com uso corriqueiro desse salto, essas adaptações posturais acabam ficando crônicas”, adverte a doutora em biomecânica.

Os problemas podem aparecer no quadril, joelho e tornozelo. Às vezes, acompanhados por dor na vida adulta, aí nos casos mais graves, sem a possibilidade de reversão. Cabe aos pais controlar o uso precoce do salto e resistir aos desejos das filhas.

“Tem que conversar. É o ponto mais importante. E ajudar a criança a pensar. Essa é a função materna que eu penso que não pode ser esquecida”, defende a psicóloga

Nenhum comentário:

Postar um comentário